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História - Simca Chambord

Ao volante de um deles, ninguém chamava carro nacional de carroça. O
rabo de peixe é o toque americano.
Por Sérgio Berezovsky
Os motoristas do Expresso Luxo, uma frota de carros que fazia - e faz até
hoje - a ligação entre São Paulo e o litoral, desciam e subiam a serra
várias vezes por dia. E qual era o carro preferido por eles? O Simca
Chambord, quando a alternativa era o Aero Willys. "A suspensão era
macia e a direção, muito leve, além de fazer mais de 200 mil km sem
mexer no motor", diz Eloi Barufa, 73 anos e mais de 40 trabalhando no
Expressinho, como era conhecido o serviço. Mas a verdade é que, no
começo, pouca gente colocava a mão no fogo por ele. Seu apelido era
Maestro, "um conserto (com "s") a cada esquina". Na
verdade, o Simca Chambord, lançado em 59, vinha da França e era
praticamente apenas montado aqui. Logo porém foi sendo tropicalizado,
ganhando a confiança e a simpatia do público.
Apesar do V8 sob o capô, o Simca Chambord não tinha um desempenho
eletrizante. No início, seu motor de 2 351 cc desenvolvia modestos 84
cavalos. E o torque só aparecia nas rotações mais altas. Por isso dava
para saber com quarteirões de distância que um deles se aproximava. Para
seus fãs, poucas sinfonias equivalem ao prazer de ouvir o inconfundível
grito do V8 acelerando, característico devido à seqüência de
explosões de um cilindro de cada lado. As versões seguintes foram
ficando mais potentes. Mas o Simca só ganharia massa muscular de fato em
66, com a adoção do motor EmiSul com 130 cavalos.
Sua sofisticação incluía faróis de neblina incorporados à grade
dianteira, um painel completíssimo com hodômetro parcial e um curioso
sistema que fazia o retorno da alavanca do pisca, quando uma resistência
aquecia depois de 3 segundos. Outra novidade do Simca, nos modelos entre
64 e 66, era o comando de avanço do distribuidor, recurso do qual poucos
motoristas sabiam tirar partido. Mas excêntrico mesmo era o nome de
algumas cores do catálogo, como ketchup metálico, para designar um
vermelho-cereja.
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Foto 1
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Foto 2
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Foto 3
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Foto 4
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Foto 5
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Fizeram parte da família uma adaptação esportiva, o Simca Rally, o
luxuoso Presidence (versão top de linha que tinha como opcional o estepe
que ficava exposto atrás do porta-malas) e no outro extremo o Alvorada,
uma versão "pé-de-boi" muito usada como táxi. No entanto,
nenhum deles batia o charme da Jangada, a primeira station-wagon nacional
e que na França se chamava Marly.
Hoje, é difícil alguém que não vire a cabeça para ver um Simca
passar. Com o modelo da foto, um Simca Tufão 66, não foi diferente. E ao
volante, a confirmação das qualidades que fizeram sua fama: a maciez e o
conforto dão prazer de dirigir. Passar sobre o calçamento de
paralelepípedos, mais do que alimentar a nostalgia, serviu para apreciar
o bom trabalho da suspensão. O câmbio na coluna de direção, de três
marchas, tem engates fáceis e é preciso manter o regime de rotações
mais alto para não perder potência nas trocas de marcha. A boa
visibilidade em todos os sentidos torna a condução mais confortável,
assim como os bancos, para seis pessoas, revestidos de curvin. O modelo
Tufão, já com motor de 100 cavalos, passou pelo teste de QUATRO RODAS em
setembro de 64, quando foi apresentado. Seus números: 135,4 km/h de
máxima e 23,3 segundos na prova de aceleração de 0 a 100 - uma
eternidade.
O Simca desapareceu no início de 1967, quando a Chrysler assumiu o
controle da fábrica. Foram fabricados 50833 carros e hoje é difícil
encontrar modelos em bom estado, o que faz com que seu preço entre os
colecionadores seja elevado às alturas. Mas difícil mesmo é encontrar
quem queira vender.

Retirado do site: Quatro
Rodas
http://quatrorodas/reportagens/1101simca.html
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