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História - FNM 2000

Moderno, com toques de luxo
e ar esportivo, ele pouco mudou ao longo de sua existência. Era adorado
pelos fãs e temido pelos mecânicos
Por Sérgio Berezovsky
Fotos: Marco de Bari
No
feriado de 21 de abril, dia de Tiradentes, não faltou assunto no almoço
de família. Corria o ano de 1960 e, além da inauguração de Brasília,
festejava-se o lançamento do JK, o mais moderno carro nacional da época.
Era
produzido pela FNM (dizia-se Fenemê, iniciais de Fábrica Nacional de
Motores), uma estatal que fabricava caminhões e que havia comprado o
ferramental e a licença para produzir o Alfa Romeo 2000. Seu nome era uma
homenagem ao presidente Juscelino Kubitscheck, o grande entusiasta da
implantação da indústria automobilística brasileira.
A origem
do nosso JK está no Alfa 1900, do início dos anos 50. Depois da Segunda
Guerra, foi o primeiro projeto da fábrica italiana e vendeu muito.
Pensando mais longe, especificamente no mercado americano, a Alfa
apresentou em 1957 o modelo 2000, com frisos, detalhes cromados e até um
discreto rabo-de-peixe. Deu tudo errado: para o povo que estava acostumado
com carrões silenciosos e suspensão macia, ele era áspero e ficava
devendo em conforto. Até em casa foi rejeitado. Os europeus o acharam
muito enfeitado.
Mas para
nós, brasileiros, naqueles tempos, ele era bom demais. É certo que não
custava nenhuma pechincha. Eram necessários mais de 150 salários mínimos
da época para comprar um carro zerinho. Quase 51000 reais em valores de
hoje.
Mesmo
exibindo o enorme cuore sportivo (marca registrada dos Alfa Romeo), com um
escudo adaptado da FNM na grade, não chegava a ter o desempenho de um autêntico
esportivo. Mas a tecnologia sobrava: câmbio de cinco marchas (uma
novidade até então – e durante um bom tempo – entre os nacionais),
duplo comando de válvulas no cabeçote, bloco do motor de alumínio e
pneus radiais. O painel encantava com seu velocímetro sem ponteiro: a
velocidade era indicada por uma fita vermelha que corria pelo mostrador.
Ah, e o banco dianteiro inteiriço? Reclinado, praticamente virava uma
cama de casal. Bons tempos de namoro a bordo.
Nas
pistas, o JK já chegou apavorando e venceu provas de longa duração como
as 1000 Milhas e 24 Horas de Interlagos, nas mãos de Chico Landi,
Christian Heinz, o Bino, e Piero Gancia.
Foi assim até que houve o golpe militar em 1964. Como Juscelino e outros
tantos que tiveram seus direitos políticos cassados, o JK também teve
problemas. Precisou mudar de nome e passou a ser o FNM 2000. Uma versão
mais potente, lançada no Salão do Automóvel de 1964, teve o nome
“Jango”, em homenagem ao ex-presidente João Goulart, cogitado. Mas
saiu como “TIMB”, abreviação de Turismo Internacional Modelo
Brasileiro.
O JK é
bastante estável. Mais do que pedem os 95 cavalos do motor. Afinal, ao
tracionar os 1360 quilos do carro, não podem fazer milagre. No teste de
QUATRO RODAS (edição de junho de 1968), o JK fez de 0 a 100 km/h em 19
segundos e atingiu a velocidade máxima de 157 km/h. O modelo que você vê
na foto é um FNM 2000 1968, andando que é uma beleza. A direção, mesmo
sem assistência hidráulica, não é pesada. É precisa, sem folgas. A
embreagem, hidráulica, é leve, e o câmbio tem acionamento na coluna. Os
freios, porém, nunca foram o seu forte. Exigem decisão e vontade.
Sua
tecnologia cobrava o preço do pioneirismo por aqui. O duplo comando de válvulas,
por exemplo, era uma caixa-preta para a maioria dos mecânicos locais. E a
parte elétrica tirava o sono de muitos proprietários.
Reestilizado
em 1969, seu motor passou a ter 2150 cilindradas. Foi produzido até 1973,
quando a fábrica foi vendida para a Alfa Romeo. Fim de um ciclo, começo
de um novo: começava a ser produzido aqui o Alfa 2300, com o mesmo espírito:
ares esportivos, com luxo e conforto.
Ele exibia o enorme cuore
sportivo, com um escude adaptado da FNM. O ligeiro rabo de peixe era moda
na época. O painel, completo, encantava com seu velocímetro sem
ponteiro. O motor contava com duplo comando de válvula e bloco de
alumínio. O banco dianteiro interiço virava uma caba de casal. Ideal
para os namorados.

Retirado do site:
http://quatrorodas.abril.uol.com.br/reportagens/0103fnm.html
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