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História - Galaxie 500
Estrela do Salão do Automóvel de São Paulo de 1966, ele fazia com que
os vizinhos morressem de inveja
Por Sérgio Berezovsky
Fotos: Marcelo Spatafora
Aqueles que estiveram no V Salão do Automóvel, em novembro de 1966,
tiveram a sensação de ter aplicado muito bem os 1000 cruzeiros pagos
pelo ingresso. Os carros expostos eram de acelerar o coração: o
esportivo Uirapuru, o sofisticado sedã Esplanada, a limusine Itamaraty
Executivo, o arrojado Puma e até o Onça, um esquisito protótipo que
lembrava um Mustang, montado sobre um chassi do FNM 2000. Mas era no
estande da Ford que estava a estrela maior, o Galaxie 500. A grande
carroceria de linhas retas e a grade que preenchia toda a frente
encantou o público e a crítica. E se o Ford agradou parado, no Salão,
quando foi para as ruas, arrasou.

Com um espaço generoso, macio e silencioso ao rodar, o Galaxie
estabeleceu um novo padrão de conforto. "Dá para dirigir com
apenas um dedo", diziam os primeiros felizardos que experimentaram
o carro, referindo-se à direção hidráulica, uma novidade nos carros
nacionais de então.

Ainda hoje o Galaxie impressiona pelas qualidades que fizeram sucesso
na época do lançamento. O espaço dos bancos é mais do que suficiente
para seis pessoas e poderia acomodar até oito passageiros. O
quebra-vento, acionado por uma manivela, ou a luz que ilumina o isqueiro
são detalhes que impressionaram na época. Porém, nada supera o
painel, com o velocímetro de escala horizontal, uma solução típica
dos carros americanos dos anos 60. O câmbio é manual, de três marchas
- a transmissão automática era exclusividade do LTD, a versão mais
luxuosa, lançada em 1968 -, e o freio de mão é no pé: pisa-se para
travar e puxa-se uma alavanca debaixo do painel para soltá-lo. A
direção leve esterça o bastante para compensar o tamanho do carro, um
modelo 1968 com o motor de 164 cavalos, o primeiro e menos potente dos
motores que equiparam a linha, que chegou aos 199 cavalos na famosa
versão 302, canadense. Mas ele anda bem, apesar do seu peso de 1780 kg,
desde que se pise com decisão no acelerador.

O "500" que compõe o nome do carro é uma alusão às provas
de longa duração muito comuns nos Estados Unidos - como as 500 Milhas
de Daytona - nas quais o carro logo ganhou fama de vencedor. O Galaxie
surgiu em 1959 como uma versão do Ford Fairlane. Fez tanto sucesso que
ficou independente já no ano seguinte. A família cresceu com as
versões duas portas, conversível e quatro portas sem coluna.

Depois do Galaxie e do LTD, veio o LTD Landau, em 1971, o top da
linha. Sua marca registrada era o pequeno vidro traseiro e o
"S" em cada coluna C. A partir de 79 somente o Landau
continuou a ser produzido. No dia 14 de janeiro de 1983, os revendedores
Ford receberam um comunicado assinado pelo gerente geral de vendas da
fábrica que anunciava o final da produção do Landau. No total, 77850
Galaxie saíram da linha de montagem da fábrica da Ford no Ipiranga, em
São Paulo. O que consola os fãs do Galaxão é que muitos continuam
rodando macio e com saúde.

Retirado do site: Quatro
Rodas:
http://www2.uol.com.br/quatrorodas/reportagens/0102galaxie.html
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