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História - Karmann Ghia

Montado de modo artesanal sobre o chassi Volkswagen, ele foi o terceiro
modelo da fábrica feito no Brasil
Por Sérgio Berezovsky
Fotos: Marcelo Spatafora
No início dos anos 60, chassis de
Fusca saíam rodando da fábrica da Volkswagen, na Via Anchieta. Alimentados
por latas de gasolina, que faziam as vezes de tanque, seguiam em direção à
sede da Karmann Ghia, distante alguns quilômetros. Lá era assentada a
carroceria, num processo totalmente manual, em que cada KG ganhava de 10 a
14 quilos de estanho durante a montagem. Graças a esse peso extra, ele não
tinha “emendas” aparentes. Depois de pronto, cabia à rede de
concessionários da VW a comercialização e a assistência técnica. Aqui ele
era uma excitante novidade. Mas lá fora já rodava havia tempo.
No dia 14 de julho de 1955 o
Karmann Ghia foi apresentado à imprensa. Nasceu da união do fabricante de
carrocerias alemão Wilhelm Karmann com o italiano Luigi Segre – designer
do estúdio Ghia –, que recebeu uma participação em cada unidade vendida. A
idéia era fabricar um carro com linhas esportivas para bolsos menos
abonados. Logo no início da produção, 50% dos carros eram exportados para
outros países europeus, além de Estados Unidos e Canadá.
O aspecto esportivo era realçado
por suas proporções e pelo perfil aerodinâmico. Baixinho mas esbelto, ele
tinha 1,33 metro de altura e 4,14 metros de comprimento, com peso de 820
quilos.
Esportivo de fato ele nunca
pretendeu ser. Faltava-lhe aquilo que distingue os bravos, o coração. Não
seria com o honesto, porém raquítico1200, de 36 cavalos, refrigerado a ar
que o KG ia conseguir impressionar alguém. No cronômetro, ele não ia além
dos 118 km/h de máxima. E a aceleração era de fazer adormecer criança
levada: mais de 30 segundos para ir de 0 a 100 km/h. Foi assim até 1967,
quando passou a dividir com a Kombi o motor 1500 e ganhou 16 cavalos.
Longe de virar um foguete, pelo menos já não dava vexame: chegava aos 135
km/h e baixou mais de 4 segundos no 0 a 100 km/h. A linha cresceu com a
chegada do conversível, no começo de 1968, do qual só foram produzidos 177
exemplares.
Com uma cabine projetada para
dois, o Karmann Ghia foi homologado para levar cinco passageiros (!). Na
realidade, o banco de trás podia, quando muito, acomodar duas crianças, na
época em que a ignorância a respeito de segurança dispensava o uso de
cadeirinhas. Mas o encosto esconde um artifício que deve ter ajudado
casais na hora de viajar com bagagem: é possível rebatê-lo e acomodar
volumes entre o banco e o compartimento do motor.
O KG amarelo - margarida (é o
nome oficial da cor) com teto preto marca no hodômetro 31000 quilômetros.
O estepe ainda tem o selo original na banda de rodagem. Ao dar a partida,
o som desperta o sentimento de algo familiar. É a batida saudável de um
1200, em estado de novo, uma suavidade que os 1300 e 1500 não têm – esses
produzem um som mais áspero. Só os 1600 têm uma sonoridade igualmente
harmônica. No interior, os bancos são revestidos com tecido entremeado de
fios metálicos. O painel tem os instrumentos básicos. Como diferenciais, a
parte superior, que era revestida de courvin, e um relógio, o único
“luxo”. Conta - giros? Ora!
Apesar da pouca potência, na
cidade o motor 1200 dá conta do recado, graças a sua elasticidade. Também
não pede trocas freqüentes de marcha, como seria de esperar. Relativamente
silenciosa, a suspensão por barras de torção não apresenta ruídos e tem
uma resistência que dispensa comentários. O bom diâmetro de giro e o
grande volante facilitam as manobras. O câmbio mostra a precisão dos
antigos VW e em poucos minutos ganha-se intimidade com o carrinho, mesmo
com a boa diferença de altura em relação aos outros carros.
Até 1972, último ano de sua
fabricação, foram produzidos 23400 carros na versão original cupê. Em
1970, ganhou o motor 1600 e um irmão, o modelo TC, equipado com dois
carburadores. Suas linhas lembram – ainda que vagamente – o Porsche 911.

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De esportivo mesmo, ele só
tem a aparência: não passa dos 120 km/h. Mas é gostoso de dirigir.
O painel tem instrumentos
básicos e, como luxo, apenas um relógio. Conta - giros que é bom... Apesar
de homologado para cinco pessoas, o banco traseiro podia, quando muito,
acomodar duas crianças. Ainda assim, somente na época em que as normas
de segurança dispensavam cadeirinhas. Os
pneus faixa branca e a pintura "saia-e-blusa" são típicos dos
anos 60

Retirado do site: Quatro
Rodas
http://quatrorodas.abril.uol.com.br/reportagens/0203karmannghia.html
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