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História - PUMA GT

Ele nasceu numa fazenda e logo impressionou pelo seu desempenho nas
competições, transformando-se em sinônimo de carro esportivo nacional
Texto e fotos: Sérgio Berezovsky
Ao contrário do JK, Gordini, Simca, Interlagos e dos sedãs DKW, que
as fábricas adaptavam para competições, o Puma já nasceu nas pistas.
Foi uma criação do advogado Genaro (Rino) Malzoni, que construía carros
na sua fazenda em Matão, interior de São Paulo. Era um chassi com
mecânica DKW vestido com carroceria de chapa de aço. Entusiasmados com o
resultado, Rino e três amigos fundaram em 1964 a Lumimari, em São Paulo,
para dar início à fabricação do carro. Tinham o respaldo técnico de
Jorge Lettry (que na época chefiava o departamento de competições da
Vemag) e contavam com Anísio Campos, que, além piloto, conhecia o
processo de moldagem em fibra de vidro. Aliás, esse material foi a
solução para o excesso de peso apresentado pelo primeiro protótipo.
Logo foram feitos outros três, já de fibra, que foram direto para a
Vemag, interessada em melhorar sua performance nas pistas. Segundo
Anísio, "a equipe até então corria de táxi", referindo-se
aos sedãs de quase 1 tonelada.
Havia enorme expectativa em torno dos GT Malzoni. Especulava-se sobre uma
mecânica revolucionária - "Corvette, talvez". Nada disso. Seus
componentes eram os mesmos dos DKW de fábrica, dos quais Jorge Lettry
conseguia arrancar quase 100 cavalos: motor 1000 cm3 de dois tempos com
três cilindros e três carburadores, com tração dianteira. Logo vieram
as vitórias e o carro ficou conhecido como DKW Malzoni. Nessa época,
dois modelos já eram fabricados. Um despojado, para competições, não
por acaso chamado de Espartano. O outro era o GT de rua, com motor de 60
cavalos e 145 km/h de máxima. Tinha bom acabamento e pára-choques
cromados.
Já com outro nome, a fábrica Puma apresentou um novo GT no Salão do
Automóvel de 1966. Redesenhado por Anísio Campos e com um acabamento
mais esmerado, o esportivo ganhou o prêmio de QUATRO RODAS como o melhor
projeto de carro brasileiro. Mas o sucessor do Malzoni com motor de dois
tempos viveu pouco. Em 1967 a Vemag, comprada pela Volkswagen, encerrou
suas atividades. E o Puma que você vê nas fotos foi o último a sair com
essa mecânica. Ele foi feito por encomenda de Antônio de Pádua, então
gerente geral de produção da Vemag.
Aos 9 anos, Ricardo Prado, hoje com 44, acompanhou todas as etapas de sua
fabricação. Naqueles sábados, quando escoltava seu pai, que ia
vistoriar a montagem, nem lhe passava pela cabeça que o Puma seria seu,
passados outros nove anos. Foi o próprio Ricardo quem me alertou sobre a
conveniência de manter o giro acima de 3000 rpm enquanto me adaptava ao
volante do Puma. É que o torque do motor, com janelas trabalhadas e
cabeçote rebaixado - de fábrica, fez questão de dizer -, só aparece
acima dessa rotação. O câmbio, de quatro marchas no chão (ao
contrário dos DKW, que tinham alavanca na coluna de direção), requer
atenção, já que a posição das marchas não é universal - a primeira
é para trás.
Não fosse pelo estilo anos 60 do painel de madeira, ficaria difícil
atribuir 35 anos ao carro. Apesar de já ter rodado 300 000 quilômetros,
o Puma GT tem aparência e comportamento de carro novo. Ao rodar, a
direção é obediente e a suspensão é firme, sem barulhos. Do
silencioso, ainda original, sai uma verdadeira sinfonia, um concerto em
dois tempos. A posição de dirigir, quase deitada, é confortável e não
compromete a visibilidade.
A soma dos Malzoni e Puma produzidos com mecânica DKW foi de
aproximadamente 170 carros. Isso explica o fato de existirem tão poucos
desses modelos atualmente. A partir de 1968, os Puma passaram para a
mecânica VW e ganharam novo desenho. Mas essa já é uma outra história.
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Foto 1 |
Ele era considerado um 2+2,
mas atrás, espaço mesmo só para a bagagem. Motor era dianteiro e, com
ligeiro veneno, trabalhava melhor a partir dos 3 000 giros. Painel do
último Puma DKW produzido era exclusivo. Tinha sete instrumentos e
console com rádio.

Retirado do site: Quatro
Rodas: Série Grandes Brasileiros
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