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História - Romi-Isetta


Hoje em dia, todos param e cumprimentam quando ele passa. Mas, na época, ninguém levava o Romi-Isetta a sério

Por Sérgio Berezovsky
Fotos: Marcelo Spatafora

Duvido que você não tenha aberto um sorriso ao ver a foto acima. Quando ele passa, não há quem não vire a cabeça. Muitos acenam e alguns tentam estabelecer contato com os ocupantes na base do grito. É inútil, pois a bordo tudo o que se escuta é algo parecido com uma máquina de fazer caldo de cana operando em ritmo de pastelaria lotada.

O Romi-Isetta é o carro mais exótico já fabricado no Brasil. O eixo traseiro é bem mais estreito que o dianteiro e ela aparenta ser ainda menor do que realmente é, com 2,27 metros de comprimento por 1,38 metro de largura. Entra-se nele literalmente pela frente. Foi justamente por falta de uma segunda porta que o carrinho, lançado em 1956, não foi considerado oficialmente o primeiro carro nacional. No ano anterior, as Indústrias Romi, que até hoje fabricam máquinas operatrizes em Santa Bárbara d'Oeste (SP), deram início à fabricação da versão brasileira da Isetta, sob licença da fábrica italiana Iso.

De pé sobre o piso do carro e apoiado na capota, com uma ligeira meia-volta já estou instalado no banco para dois lugares. Antes de dar a partida, apanhei um bocado do câmbio - as posições são invertidas (a primeira é para baixo) e as trocas são feitas com a mão esquerda. Encontrar o "trilho" das quatro marchas é uma questão de sorte, muita paciência e um pouquinho de jeito - ou força, cá entre nós. Quem tem o volante nas mãos fica com a coluna de direção entre os pés. Os instrumentos não são mais que um pequeno velocímetro - que marca até 100 km/h - e três luzes-espia: dínamo, pisca e farol alto. Com exceção do pára-brisa, os "vidros" são de plástico e garantem a visibilidade de um Spitfire da Segunda Guerra.

O Romi-Isetta tinha algumas soluções originais. Por exemplo: o motor de partida e o dínamo, que alimenta o sistema elétrico de 12 volts, formam uma única peça. Debaixo do banco há uma torneirinha, como nas motos, que comuta a passagem para a reserva de 3 litros do tanque de combustível (com capacidade de 13 litros). E a transmissão é feita por duas correntes, que levam a força do motor às rodas traseiras.
Os primeiros Romi eram equipados com motor dois tempos, de dois cilindros. Para o modelo 1959, o último a ser fabricado regularmente, a fábrica anunciava nas revistas uma velocidade máxima de 95 km/h, um consumo de 25 km/l e garantia que o carro "vence com sobras as subidas mais íngremes", graças ao novo motor BMW de quatro tempos monocilíndrico, de 298 cc e 13 hp de potência. Descontado o entusiasmo do redator do "reclame", 80 km/h por hora me parece uma velocidade mais próxima da realidade. Quanto às ladeiras, não ponho a mão no fogo. Nas retas, eu garanto: o carrinho desenvolve bem, desde que não haja timidez no trato com o acelerador. Dos buracos, é melhor passar longe. A suspensão é cumpridora, mas não pode fazer milagres com as rodas de aro 10. Mas os freios seguram bem a barra. Abrir o teto de lona é uma necessidade nos dias mais quentes: os grandes quebra-ventos não dão conta de ventilar a cabine.

Mesmo depois de encerrada a produção, alguns Romi-Isetta ainda foram montados, com o estoque de peças remanescente. No total, foram fabricadas cerca de 3000 unidades.

O público nunca levou o Romi-Isetta muito a sério. Era visto mais como uma excentricidade do que uma solução prática de transporte. E o fato de ter ficado à margem da política de incentivos à indústria automobilística, durante o governo Juscelino Kubitschek, fez com que seu preço não fosse competitivo - em 1959, ele custava mais de 60% do preço de um Fusca. Esses fatores contribuíram em parte para encurtar sua temporada por aqui. Mas, assim como muitos animais pré-históricos, ele foi vítima da seleção natural, devido a suas próprias limitações. Especialmente a de locomover-se mais rápido.


Foto 1

Foto 2

Foto 3

Foto 4

Foto 5

Vista de frente, a diferença de bitolas é gritante: 1,20m na dianteira e 0,52m na traseira. Ele tem apenas uma porta e por isso não era considerado um automóvel pelas autoridades. O painel é minimalista: velocímetro e três luzes-espia. Atrás do banco, fica o motor de 13 hp, de 298cc, que a fábrica garantia desenvolver até 95 km/h. Soluções originais: junto com a porta, vem o volante. E a alavanca de câmbio fica na lateral.

Retirado do site: Quatro Rodas Série Grandes Brasileiros
http://quatrorodas.abril.uol.com.br/reportagens/0902romiiseta.html

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